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10/08/2013 - Seminário Municipal debate a implantação de um programa de separação do lixo.

Autoridades, entidades, Ongs e sociedade civil debateram a implantação da coleta seletiva, em Patos de Minas, a partir de uma experiência consolidada, no Centro-Oeste mineiro, referência no País.

“Patos de Minas vive hoje um dia histórico; este seminário é um marco para a cidade”. Foi com essa frase que o diretor-executivo do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), José Aparecido Gonçalves, abriu sua fala durante a realização do Seminário Municipal de Coleta Seletiva, que aconteceu na sexta-feira (9/8), no Salão de Júri, no Unipam.

O evento teve a participação de autoridades, entidades, associações, estudantes de escolas das redes de ensino estadual, municipal e particular, Ongs, sociedade civil e vários setores e segmentos sociais. A Prefeitura de Patos de Minas e o Centro Mineiro de Referência em Resíduos promoveram o seminário com o objetivo de debater com os vários atores da sociedade, a implantação, em Patos de Minas, de um programa de coleta seletiva a partir da experiência consolidada de Itaúna, no Centro-Oeste mineiro.

“Eu conheci o modelo de Itaúna em visita recente àquele Município, que, desde 2000, mobilizou as pessoas a fazerem em casa a separação do lixo seco do lixo úmido; organizou uma cooperativa de catadores, que gera trabalho, renda, inclusão social e hoje é modelo em coleta seletiva no País. É esse exemplo que queremos debater com a sociedade patense e ver se é viável a implantação aqui”, disse Pedro Lucas Rodrigues.

O prefeito Osmando Pereira foi um dos palestrantes do seminário. Ele mostrou como o Município separa o material reciclável do lixo orgânico. A cidade faz a coleta de porta a porta, em dias alternados da coleta convencional. “Gradativamente, os moradores assimilaram a cultura de separar o que vai para o aterro sanitário do que vai para a usina de reciclagem, onde trabalham cerca de 80 pessoas. A maioria delas é ex-catadores, que graças à parceria com o Poder Público criaram a Cooperativa de Catadores (Coopert)”, explicou o prefeito de Itaúna.

A presidente da Coopert e do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável, Madalena Duarte, também participou do seminário. Ela chegou, recentemente, da França. “Madá”, como é conhecida, tem viajado por vários países da Europa e das Américas, levando a experiência de sucesso de Itaúna. A ex-catadora de lixo tem uma história de muita luta à frente da Cooperativa e do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Segunda ela, a coleta seletiva, além de gerar trabalho e renda, faz a inclusão social dos catadores, que passam a viver com dignidade e cidadania. O seminário é uma oportunidade única para a sociedade de Patos de Minas debater a implantação de um programa de coleta seletiva. “Viajo por vários países e não há país no mundo que evoluiu nessa área senão pela reciclagem. A incineração do rejeito, por exemplo, que é enviado ao aterro sanitário não é viável em lugar nenhum”, contou Madalena Duarte.

A falta de tecnologia é um dos pontos negativos para a incineração do lixo. O promotor de meio Ambiente Marcelo Maffra, das bacias hidrográficas dos rios Urucuia, Abaeté e Paracatu, também falou sobre esse assunto. De acordo com ele, muitas empresas que desenvolvem projetos de incineração procuram as prefeituras e os órgãos, como o Ministério Público, vendendo uma ideia totalmente descompassada com a realidade. “Parabenizo a Prefeitura Municipal, na figura do prefeito Pedro Lucas Rodrigues, por iniciativa tão louvável; a nossa cidade tem tudo para ter um programa de coleta seletiva inspirado no modelo de Itaúna; basta nos ornanizarmos”, ressaltou.

Na visão do promotor de meio ambiente, os principais pontos favoráveis à implantação da coleta seletiva no Município são o fato de Patos de Minas já ter um aterro sanitário e uma cooperativa em funcionamento, a Apare. “Uma das exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos é que os municípios tenham um plano de gestão de resíduos sólidos, com gestão integrada e compartilhada”, enfatizou Marcelo Maffra.

A Associação Patense de Reciclagem tem conseguido fazer um trabalho importante na coleta, separação e destinação do material reciclado. “A renda mensal de nossos catadores é de R$900,00 (novecentos reais), e conseguimos aumentar a quantidade de lixo reciclável”, afirmou Luci, representante da Apare.
Muitos catadores ainda têm direito a bolsa-reciclagem, que é um benefício oferecido a eles para cada mil toneladas de material reciclado. Os da Apare, em Patos de Minas, devem ser beneficiados em breve com dinheiro, que é mais um incentivo aos catadores.

Por fim, o representante do Centro Mineiro de Referência em Resíduos alertou sobre o aumento da vida útil dos aterros sanitários, ao passo que a coleta seletiva é implantada nos Municípios. A partir do momento em que o Município faz a adesão ao programa de Gestão de Resíduos, o Centro Mineiro dá todo o suporte técnico. O CMRR é um programa do governo do Estado, ligado à Servas e à Feam, órgãos vinculados à Secretaria de Estado do Meio Ambiente. “Buscamos a excelência no apoio e na qualidade do serviço”, enfatizou Cido.

O Centro Mineiro de Referência em Resíduo Sólido está presente em vários municípios mineiros do Alto Paranaíba, Noroeste mineiro e outras regiões de Minas Gerais. Através do “Projeto Reciclando Oportunidades”, o trabalho de catação assegura a geração de renda e a cidadania. “O nosso principal objetivo é gerar menos lixo para os aterros sanitários e dispor corretamente o material”, concluiu José Aparecido Gonçalves.

“O cidadão precisa ter em mente que, quando ele faz a separação do lixo em casa, não a faz pelo catador nem pelo prefeito, mas pelo Planeta, pela consciência de ajudar o meio ambiente. Para ter um programa efetivo e que vise ao bem comum, precisamos começar reciclando nossas atitudes”, disse Cido, na sua fala final, no Seminário Municipal de Coleta Seletiva.
 




















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